Fobia Social traduz-se, sinteticamente claro, por:
- Medo da exposição aos outros;
- Medo de dar motivos para ser ridicularizado;
- Insegurança sobre si;
- Grande poder dado a outros.
Quero dizer, quem se sente limitado no seu dia a dia devido a fobia social, sofre aquilo que sofre, devido às premissas que indico acima.
Objectivo de quem sofre por fobia social: ser perfeito para não dar motivos para ser criticado. E isso é possível? É?... Não. Não é.
Analisemos então isto.
Fobia Social é medo. Medo de quê? Da exposição social. Porquê? Por medo da avaliação que os outros farão de nós. Porquê? Porque os outros poderão encontrar falhas nossas. Porquê? Porque exigimos de nós a perfeição, porque não nos permitimos falhar. Porque temos medo de falhar. E isto acontece porquê? Porque achamos que falhar é inadmissível, nos exporá ao ridículo. Porque nos acreditamos imperfeitos, e por isso exigimos mostrar o contrário. Queremos a todo o custo mostrar, a nós e aos outros, que somos espectaculares. Porque achamos que quem não é espectacular, merece ser descredibilizado. Porque achamos que temos de saber tudo, ser perfeitos, infalíveis, à altura do que achamos que outros seriam.
Na verdade, dizendo-o meio a brincar, meio a sério, fica a impressão de que qualquer falha nossa será logo notada, que todos os olhares estão virados para nós, de que os outros, de tão brilhantes e infalíveis que são – e estou a ser irónica - notarão logo cada uma das nossas falhas.
Trememos com medo de falhar, e imaginamos que, no limite, falhando, iremos afundar-nos no ridículo, morrer de vergonha, e não mais ter coragem de olhar em redor. À distância, todos nós percebemos que isto não é muito racional, claro. Mas, na situação, quem é que arranja sangue frio para enfrentar tamanha batalha? A insegurança pessoal faz sentirmo-nos como uma cria de Homo sapiens sujeita ao olhar crítico de vários deuses sabichões.
Então o que é possível fazer para alterar este medo extremo? Mais uma vez sinteticamente, sem dúvida que o que temos de perceber e trabalhar, são as “lentes” com que nos vemos a nós, e aos outros. Entender como as fomos adquirindo como nossas, e alterar a forma como filtram o que se passa connosco e com os outros.
Dora Bicho
(Dezembro de 2008)
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