Quando falamos de ansiedade, referimo-nos a um mal-estar psíquico acompanhado de mal-estar físico, que está intimamente associado à sensação de medo. Pode ser medo de um perigo específico. Ou pode ser medo de um perigo pouco claro, que não se sabe muito bem o que é. Esta associação entre medo e ansiedade variam desde a ligeira inquietação à vivência de pânico.
Na verdade, isto de estarmos ansiosos e sentirmo-nos ansiosos é algo que faz parte da vida de todos nós. A sua intensidade e frequência é que diferem bastante.
Ela, a ansiedade, é vivida por antecipação de um perigo que é percebido como sendo de difícil controlo. Mais concretamente, em última instância, o que efectivamente se teme é a repetição de uma vivência idêntica a uma já vivida (ou quase vivida) que foi bastante traumática. Acredita-se não se ser capaz de voltar a lidar com essa vivência, ou melhor, não se aguentar voltar a lidar com ela. Seja por se ficar confuso e ambivalente em relação ao que fazer, seja por se achar não estar à altura de enfrentar tal situação – o que corresponde à percepção de ausência de capacidade, de poder, para lidar com a circunstância temida.
Quando aquilo que se receia é claramente identificável, sabendo-se que situação ou elemento concreto é temido, é possível seguir uma de duas opções: enfrentar, ou evitar a situação ou elemento temidos. Claro que a opção pelo evitamento implicará uma vida mais restringida ou menos restringida, conforme aquilo que é temido por aquela pessoa em particular.
Se aquilo que é temido é algo difuso, parece mais difícil de controlar, porque, não sabendo o que temer, também não se sabe o que enfrentar, ou evitar. Será por exemplo o que se passa com quem se sente frequentemente ansioso, em que o futuro é continuamente perspectivado de forma pessimista, como a possível eminência de surgirem acontecimentos traumáticos. Isto acontece com alguém que tem percepção de um passado pleno de acontecimentos muito difíceis, o que leva a viver o futuro com medo dos malefícios que ele pode reservar e propicia uma atitude pouco destemida perante a vida.
Para compreender as motivações para as vivências ansiosas e qual o processo relacionado com determinada ansiedade, e medo, é de procurar à volta das experiências passadas vividas traumaticamente, e da impotência sentido no enfrentamento das mesmas.
Dora Bicho
Sem comentários:
Enviar um comentário